Campo Grande, 08 de abril de 2020

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Artigos • 10 dez, 2019

Tostão e Pena Branca, insubstituíveis (Dirceu Pio)


O rebaixamento do Cruzeiro me fez lembrar do Eduardo Gonçalves de Andrade, o Tostão, o maior ídolo da história do clube, que, por sua vez, me fez lembrar do saudoso amigo, Octávio Ribeiro, o Pena Branca, o maior repórter policial brasileiro de todos os tempos.Antes de contar porque me lembrei dos dois, hoje, preciso dizer da minha convicção de que, se Pena Branca estivesse vivo e na ativa, já teria elucidado esses três casos que permanecem envoltos em nuvem de mistério, num desafio à polícia e a toda essa mídia mambembe: o assassinato do prefeito de Santo André; o assassinato da vereadora Marielle Franco e o atentado contra Jair Bolsonaro em Juiz de Fora.

ESSE ERA TOSTÃO

Dono de um drible desconcertante dentro da pequena área, Tostão foi considerado pela imprensa europeia, o melhor jogador brasileiro da seleção que, em 1970, com Pelé, Jairzinho e Rivelino conquistou a terceira Copa do Mundo no México.

Já nessa Copa, Tostão começava a viver o drama que o tiraria do futebol, definitivamente, pouco tempo depois. Em 1969, durante uma partida entre Cruzeiro e Corinthians, ao tentar cabecear uma bola chutada pelo zagueiro Ditão, Tostão sofreu descolamento da retina do olho esquerdo. Foi operado, mas quase fica de fora da Copa de 70.

Em 1973, por ordens médicas abandonou o futebol e se recolheu em casa, em Belo Horizonte, sem dar mais nenhuma entrevista à imprensa. Formou-se médico em 1981 e continuou recluso na vidinha mineira, dedicada exclusivamente à mulher e aos filhos.

UMA MISSÃO DO TIPO IMPOSSÍVEL

Na metade dos anos 1980, o Pena Branca se afastara do trabalho formal de redação e passou a viver de free-lancer.

Estava hospedado num pequeno hotel de S. Paulo quando recebe um telefonema do diretor de redação da revista Placar, o também jornalista Juca Kfouri, hoje adepto desta seita abominável chamada Lula Livre:

– Tenho uma missão que só o super-Pena Branca pode resolver: eu lhe mando passagem e você voa a Belo Horizonte para entrevistar o Tostão…

– Escuta, ô Juca, mas não é esse Tostão que não quer falar com ninguém ?

– Ora, ora, ora, meu amigo…ele não fala pra mim, mas duvido que ele não vai falar para o Rei dos Repórteres Policiais do Brasil !

UMA BAITA ENCRENCA DESEMBARCA EM CASA

Fecharam um acordo, Pena Branca tomou o primeiro avião para Belo Horizonte, desceu no aeroporto de Confins, hospedou-se num bom hotel, chamou um massagista para dar um jeito em suas dores na lombar e, em menos de três horas, lá estava ele tocando a campainha da casa do Tostão…

Uma empregada atendeu e ele, dizendo que era jornalista, foi entrando…e lá dentro, informado que Tostão estava no banho, deitou-se no sofá da sala com a intimidade de um gato angorá.

Assustada, a empregada foi chamar o Patrão já alertando que “um louco” estava deitado no sofá da sala.

De roupão, Tostão, hesitando entre atender o intruso ou chamar a polícia, resolveu perguntar:

– Posso saber o que o senhor está fazendo aqui na minha casa ?
A resposta veio na tática infalível do repórter calejado na superação de obstáculos:

– Eu me chamo Octávio Ribeiro e estou aqui para entrevistá-lo…

– E quem disse que eu vou lhe dar alguma entrevista ?- indagou-lhe Tostão.
– O senhor é que sabe…eu só saio daqui com a entrevista aqui neste gravador…aproveita e faz uns telefonemas aí pra descobrir quem sou eu e o tamanho da encrenca que você arranjou…

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