Campo Grande, 19 de outubro de 2018

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Artigos, Brasil • 12 abr, 2018

A crise dos ingredientes


por Janio de Freitas

Já nos habituamos à crise. Nossa envaidecida versatilidade leva-nos sempre ao mais cômodo. E, como regra geral, menos recomendável. Ainda assim, a crise não deixa de ser uma espécie de envenenamento coletivo, que é preferível sustar em tempo. Como? Ninguém discute, o que é uma das peculiaridades da crise. Outra, é que esta crise conseguiu contaminar e absorver todos os ingredientes essenciais à construção de uma democracia razoável. E em nenhum a perspectiva é de superar sua intoxicação.

Supremo sucumbe a uma divisão complexa, por atingir teoria e prática, concepções jurídicas e relações pessoais, inclinações políticas e sujeição a vozerios externos. Tudo em ambiente de tensão, como à espera de um disparo —que vem, mesmo, com frequência. Os efeitos dessa situação não recaem só sobre o Supremo, sob a forma de corrosão da sua respeitabilidade e da autoridade indispensável. Os seus males projetam-se sobre as demais instituições, logo, na vida do país.

Inexiste, no entanto, vislumbre de reacomodação. Bem ao contrário. Não só por falta de iniciativa, mas por continuado acirramento das incompatibilidades. Há anos, a ministra Ellen Gracie não admitiu nem os primórdios do ambiente de inconvivência e choque, e preferiu deixar o tribunal. Personagem na situação conflituosa, Joaquim Barbosa também preferiu sair, no auge do prestígio por sua relatoria do mensalão. De lá para cá, qualquer atenuação só ficou mais difícil. Ou já impossível.

O atual Congresso tem a pior das composições na sua história. Seus integrantes cuidaram de criar um tal Fundo Eleitoral que financiará, com dinheiro tomado dos próprios eleitores, a sua busca da reeleição. O sistema de indicação de novos candidatos, mais fechado do que favorável, complementa a dificuldade de renovação melhorada. Parlamentares de certas igrejas agravaram muito a degradação da Câmara, e essa bancada espera crescer bastante. A contribuição do Congresso para a crise, portanto, não está ameaçada pelas eleições de outubro. A casa de negócios prospera mais em situações problemáticas. Continue lendo 




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