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Artigos, Brasil • 05 abr, 2018

Política e espiritismo


POR MARTHA TRIANDAFELIDES CAPELOTTO 04/04/2018
Comércio do Jahú
Nos primeiros tempos de meus estudos doutrinários ouvia amiúde que o espírita não deveria se envolver com política, dizendo alguns que ela, a política, por envolver muitas questões polêmicas, pelo ambiente bastante negativo que decorre das más posturas dos legisladores, não proporcionaria campo adequado para as reflexões intimistas e reformadoras que a doutrina espírita nos impõe. Assim, passei muito tempo concordando sem parar para o enfrentamento da questão.
Como acaba acontecendo com o passar dos anos, quando vamos agregando algum conhecim
ento, fui percebendo que o pensamento acima estava carregado de equívocos, de interpretações absurdas, já que uma das questões mais relevantes da nossa doutrina foi uma resposta dada a Allan Kardec, quando este perguntou aos superiores por que o mal ainda era preponderante no mundo e a resposta dada foi: porque os bons são tímidos.
Vamos por partes: primeiro, não estou eu aqui a dizer que os espíritas são bons, somente porque são espíritas; segundo, se o mal existe em decorrência da omissão dos melhores, mais conscientes, onde deveriam estar essas criaturas?
Assim, penso que o comportamento de qualquer criatura deva ser o de respeito às opiniões divergentes, procurando sempre entender que para todas as questões há o contraditório, que, por sua vez, existe para que façamos reflexões. Isso é uma coisa; outra é nos quedarmos omissos e inertes porque os campos de luta são ásperos.
Todo caminhar é repleto de obstáculos, de dificuldades, e não ignoramos que no meio político seja diferente. Onde existem distorções, cizânias, violências, desrespeitos, aí é que deveremos aportar com a coragem, com a dignidade no proceder, aprendendo a dizer o “sim, sim, não, não”; a mudarmos o que precisa ser refeito, a direcionar o comportamento para tudo o que é ético, moral e benéfico para toda uma coletividade.
Tivemos exemplos de espíritas dos mais respeitados que fizeram parte da política, como o nosso querido dr. Bezerra de Menezes, o médico dos pobres, Eurípedes Barsanulfo, educador por excelência, e outros, que só enobreceram o meio político.
Pesquisando para esse texto, pude conferir que alguns, por outro lado, se posicionam totalmente contrários ao envolvimento de espíritas no meio político, apontando em seus textos, citações de obras de André Luiz, Emmanuel, as quais respeitamos profundamente, dizendo, entre outros argumentos, que não podemos servir a dois senhores. Aqui, peço licença para discordar uma vez mais, pois, envolvermo-nos com as questões sociais, lutando para que as mudanças ocorram, não é servir ao “diabo” e a “Deus’, e sim, tomarmos posição com Aquele que é o nosso Senhor. O bem, realizá-lo, exige posicionamento firme, mesmo em meios adversos.
Não sou candidata a nada, nem o serei por total incompetência, mas, não posso coadunar com ideias que merecem serem mais analisadas e enfrentadas. Por acaso, espíritas ou não espíritas, pessoas de bem, com rótulo religioso ou não, devem ficar estagnadas, vendo o barco afundar? Deixar que os ímpios, os corruptos, os ignorantes e aproveitadores se utilizarem das ferramentas adequadas de transformação para seu bel prazer e interesse? Por essas razões, estamos vendo o mal triunfar em larga escala. Os “bons” estão onde? Em posições genuflexas pedindo que tudo mude sem se posicionarem?
O que não podemos nunca nos esquecer é que a vida é luta sem fim. Muitos passaram por esta humanidade e têm seus nomes grafados nos anais da história por suas atitudes de bravura, de coragem, para os enfrentamentos que se fizeram necessários e, a partir daí, mudanças legais, libertadoras do jugo da tirania, do despotismo, da corrupção e das injustiças aconteceram, sem derramamento de sangue, como, Mahatma Gandhi.
Os instrumentos dos de boa vontade estão enferrujando por falta de mecanismos legais que possam dar o suporte às melhoras. Não nos acovardemos para pisarmos em terrenos pedregosos, de difícil andar, antes, sigamos confiantes no Senhor supremo da vida, que sempre está ao lado daqueles de boa-fé, de bom ânimo e de coragem, mesmo que o mundo, por ora, não os possa compreender. As mudanças necessitam de mãos operosas e competentes.
Martha Triandafelides Capelotto é divulgadora do espiritismo.



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