Campo Grande, 19 de setembro de 2018

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Artigos, Brasil • 20 abr, 2018

Aécio resiste no Sindicato do Chopp


por Renato Terra

Assim como Lula em São Bernardo, Aécio Neves escolheu um sindicato que representasse sua vida pregressa para simbolizar a resistência aos desmandos da Justiça. Desde terça, quando virou réu, o perigote do Senado vem exalando carisma e virilidade no bar Sindicato do Chopp, na zona sul do Rio, em frente à praia.

Logo na primeira hora, foi seguido por uma multidão de três pessoas: Alexandre Accioly saiu do mar direto para a mesa 7. Ronaldo Fenômeno, faminto, perguntou se o filé aperitivo era Friboi. Zezé Perrela, o último a chegar, veio de helicóptero assim que soube da heroica resistência. Luciano Huck ainda não se manifestou.

José Serra chegou para prestar apoio. Entrou pelos fundos. Ao ser informado que o bar não adotava mais o nome de Sindicato do Chopp, franziu a testa. “Ué, mudou?”, perguntou, antes de sair de fininho.

Na quinta à noite, um carro de som começou a tocar em frente ao bar “Sweet Dreams (Are Made of This)”. O furdunço reuniu um animado grupo de turistas argentinos.

Aécio subiu no carro de som para dar um tostão de sua voz: “Querem me condenar porque sou um cara família. Já provei isso construindo um aeroporto no terreno do meu tio e aderindo a uma sociedade na rádio Arco Íris com minha irmã e minha mãe. A rádio, inclusive, recebeu verbas de publicidade estatal enquanto eu era um governador exemplar, que zelava por aqueles que ama”.

E completou: “Sou só um homem de bem que faz tudo pelos familiares, sou o genro que a pátria-mãe sempre almejou”.

Ao notar a presença de uma equipe de TV, que chegou ao local sem ser agredida, Aécio se empertigou: “Câmeras, close”. E anunciou: “Não vou mais gastar com advogados os R$ 2 milhões que peguei emprestados com o Joesley. Ou seja: chope liberado até domingo! Venham de verde e amarelo! Tragam suas famílias!”

Acostumado a magnetizar olhares femininos e semear a invídia dos mancebos, o esbelto senador tirou a camisa e distribuiu adesivos com os dizeres “Enlarge your patrimônio. Pergunte-me como”.

No fim da tarde, ligou para um amigo empresário e pediu empréstimo em dinheiro, sem contrapartidas, assim que olhou o cardápio de pizzas.

CONTADOR

Estamos trabalhando há 37 dias sem saber quem matou —e quem mandou matar— Marielle Franco.

*Publicado na Folha de S.Paulo




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