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Artigos • 01 mar, 2024

O futuro do nosso grande país ainda está em aberto


O despreparo, a mediocridade e a falta de grandeza dos três últimos presidentes eleitos são parte da resposta pelo estado em que se encontra o Brasil

Para quem acredita que a história está sujeita a qualquer tipo de determinismo, tal como foi a moda entre as elites intelectuais durante o século 20, ou que o futuro é apenas uma extensão do presente, há razões para pessimismo em relação ao nosso país. Da virada do século até agora quase nada melhorou no Brasil. Nossa renda por habitante está praticamente estagnada, há um visível encolhimento da classe média, aumentou na população a percepção de corrupção e de insegurança e a confiança do povo nas instituições está em seu momento mais crítico. Se o presente durasse para sempre estaríamos perdidos.

É uma tarefa complexa compreender completamente por que o Brasil se encontra no presente estado. No entanto, nem todos pensam assim. Os dois grandes polos políticos do país são liderados por gente com uma visão muito simplificada do mundo moderno, mais empenhados em aumentar e fortalecer suas militâncias do que em propriamente articular um projeto para o Brasil do século 21. Ambos os grupos dominantes da política brasileira, comandados por Bolsonaro e Lula, travam uma luta por ideias que já estão mortas há muito tempo.

Eles tem propostas impossíveis de volta a um mundo que já não existe. Um quer reconstituir o Brasil do regime militar, nascido pela força há 60 anos e encerrado melancolicamente há 40 anos. O outro quer reconstruir o Brasil com o manual de instruções da esquerda latino-americana dos anos 1950 e 1960. Como duas ideologias reacionárias e extemporâneas podem dominar o debate político na era da inteligência artificial em nosso país, já tão modernizado em muitos aspectos, é algo que intriga e nos desafia.

Um grande pensador de nosso tempo, Karl Popper, escreveu algo que sempre me acompanhou: o futuro encontra-se em aberto. Tudo pode acontecer. Ele disse ainda: Temos o dever moral de enfrentar o futuro de um modo diferente daquele que seria se o futuro fosse apenas uma continuação do passado e do presente. Outra pensadora, que viu e viveu muitas coisas, Hannah Arendt disse que na política temos o direito de ter a expectativa de milagres, porque os homens são aptos para realizar o improvável.

Diante do presente sombrio não podemos permitir que os sonhos morram para sempre. Temos que parar de apenas lamentar e começar a imaginar o que podemos e devemos fazer, pois o caminho do futuro está aberto.

POR ROBERTO BRANT – FONTE – ESTADO DE MINAS 




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