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Artigos • 24 maio, 2024

OBRIGADOS A REPENSAR NOSSO LUGAR


Agora, em face da tragédia ambiental e humanitária no Rio Grande do Sul estamos obrigados a repensar a ocupação de nossos territórios urbanos e rurais.

Campo Grande já recebeu vários alertas, alguns mais claros, como enchentes cada vez mais comuns, outros percebidos historicamente como o aumento exagerado da temperatura ambiente e da pouca umidade no ar. Mas infelizmente muito pouco tem sido feito para adaptar a cidade (e o Estado) para essa nova realidade.

Estudiosos apontam que nossa temperatura ambiente vai ficar cada vez mais quente e as chuvas, cada vez mais intensas e mais concentradas, isto é, mais água em menor tempo.

Algumas (boas) obras de drenagem estão sendo planejadas e executadas, mas isso não é o suficiente.

Já vimos os grandes parques urbanos às margens do Prosa e do Segredo, previstos em 1.978 por Jaime Lerner serem literalmente ocupados pelas construções, muitas, frutos de descaso com o bom planejamento urbano, que teria evitado as enchentes quase corriqueiras nos dias atuais.

Outro exemplo é o nosso sistema de drenagem: não basta a obra, mas a manutenção constante, junto com, como exemplo simples, um plano de (re)arborização e uma Lei de Ocupação e Uso do Solo que aponte soluções como a quantidade de solo permeável obrigatório para cada edificação.

É só olhar nossas esquinas (principalmente): cada dia mais ocupadas com edificações e estacionamentos nos recuos, com rebaixamento quase total das guias, e um ínfimo pedaço de terreno com grama e um mirradinho arbusto que logo irá morrer…

Uma árvore é capaz de reter, segundo estudos, até cerca de 20% da quantidade de chuva que cai, aumentando o tempo de escoamento e, consequentemente, o risco de enchentes.

Estudos realizados pela UFPR encontraram uma redução na temperatura de 1,8 a 3,9 °C, comparando áreas arborizadas e não arborizadas. Também, estudos na Argentina e Alemanha comprovaram uma regulação de 5% da umidade relativa do ar em áreas arborizadas.

Por outro lado, a verticalização das edificações aumenta a temperatura no entorno imediato, assim como o excesso de prédios pode afetar o regime de ventos. Assim, se faz necessário uma regulação da concentração da verticalização que, lembro, impacta também a rede já implantada de água, esgoto e energia, além da mobilidade urbana.

Esses são alguns exemplos de como é complexa a regulação urbana exigida pelas mudanças climáticas.

E nas áreas rurais, lembro-me que, no começo de 2.010, em uma audiência pública sobre uma das maiores chuvas em menor tempo que esta cidade já viu (em 27 de dezembro de 2.009) um nosso grande meteorologista dizia, que com a destruição dos rios aéreos que conduzem água do oceano e da Amazônia, o nosso Pantanal, em quatro décadas estaria fadado a virar um deserto arenoso.

Ainda é tempo de fazermos algo, para evitarmos tragédias ou o nosso declínio como sociedade. Mas precisamos de debate sobre nosso bem estar atual e futuro, com bons argumentos e, o mais importante, ações imediatas

FAYEZ (FEZ) JOSÉ RIZK – ARQUITETO E URBANISTA




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